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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

CONTO EM PROSA



(ATO I _ Terceiro estado amoroso,parte da saga de uma patologia)


Entre paredes,quatro delas o cercavam.O sujeito era robusto e cabeludo,estava bem magro,
havia dias que não comia nada,nem miolo de pão.Via-se nesse concreto refugio que mais parecia uma prisão,suas extremidades desagastadas,a mão de cal,a massa...,em alguns pontos os tijolos apareciam,nas divisas de outros,la estavam algumas frestas,por onde passava algum ar,pouquíssimo,com um forte odor de canfora misturado-se com vapor,fumaça também.

Algo que talvéz fosse lava de vulcão invadindo um rio tranquilo que estivesse por perto,mas
não havia compreensão do realmente fosse,calmo,zen em sua vista um pouco desgastada
por ter feito algo antes,uns arranhões pelo corpo,
que nem ele sabia por que estavam ali,não via neles repulsa,mas o sangue que as vazes descia-lhe incomodava bastante.

Em sua cabeça,cabelos crespo aos caracóis desciam-lhe às costas e escondiam aos nos aquele rosto,estavam ate enfeitados com folhas,algumas secas,outras não,bem se podia dizer
que um vento forte lhe havia concebido ou de qualquer outra jeito.Ele gostava delas,das cores
que ainda jaziam em algumas,mas em si achava a sua aparência deplorável.

Os olhos que mostravam suas paredes,fazia tempo que não os merecia,tinham um brilho
de mil jaspes clivando-se espontaneamente,embora,fossem castanhos,transportava sua visão
não para si,não sabia na real o que fazer com ela,pendiam aqueles olhos,não fazia muito uso,mesmo reflectindo sua mente por ela,vários fios de pensamentos,que estavam absortos naquela cabeça,ele sempre se perdia,perdia-se mesmo por não saber qual seria o fio de ouro,
ate por que não via cor em nenhum dele,seus ramos lhe custavam sua falta de força para se mover,para talvez tentar com as unhas ja grandes,ou com os dentes,roer as suas paredes,cavar
aquela terra úmida abaixo de seus pés,ate sair dali,mas sua cabeça se envolvia em lampejos dos quais ele poderia pagar caríssimo ou não,se viesse a alertar-se.


Não lhe faltava o desejo onírico de ver o que estava alem daquelas dimensões,se é que havia
alguma coisa,iria então rasgar-se todo lançando-se contra um dos muros,tranquilamente sentindo as dores lancinantes de sua carne,que provavelmente avermelhar-se-ia em brasas de
sangue,o que seria pior que os arranhões,abaixo de si afundar-se sob a terra,de onde brotavam pedacinhos esmagalhados de um tipo de pedra que por vezes reflectiam sua imagem , pinicariam sua carne com toda certeza,dissipando suas veias em pouco tempo,incrustariam-se em todo o seu corpo,enfeitariam-no,alo caiu no emaranhado de sua perna,ele nao percebeu o que era,
não deve ter tocado a pele,perdera-se em seus pelos,caíram outros pingos,irreconhecível o liquido que tinha uma cor escura mas transparente,caíram mais,gradualmente.

Isso não lhe causou o menor movimento,pasmara,ate mesmo por que estava lhe refrescando o corpo,estava quase submerso,a sensação de estar envolvido pelo liquido nao lhe dava qualquer referencia,assim que o nariz foi alcançado,prendeu a respiração,seus olhos não se fecharam ainda podiam ver a tremula parede á sua frente, lhe cobria a cabeça,as folhas saíram dos cabelos que flanaram naquele liquido.

Kamila Siva

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