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segunda-feira, 21 de abril de 2008

CARTA


À Andréia Reis



Sob a mesa, teus pés nus, encharcados
pelo sangue que escorre do teu peito
manchado pelas trovoadas das ruas que te carregam.
Estas impedida de caminhar ?Por quais encruzilhadas
deixastes o véu que esconde tuas belas faces,
no espelho do lago sob a forte (cachoeira...) que limpa
teu spiritu, ao caminho de concreto que sufoca e espreita
algo que se possa ouvir dos sussurros de tua mente

Entrepidos os ventos ao cruzar-te o corpo.
estrondo que parte ares na imensidão ao
revolto som do abraço da treva que resta ao meio dia
mesmo assim,penetrante, pulsiva....
em teus seio.
Choras a quem, a que essência,d'onde lanças
um olhar que clama pelo fogo que arde entre tuas pernas loucas,
qual vermelhidão lancinante que a cicuta não apaga.

Jorra a carne macerada,escoreada,em quantas!!
rima espancada, um sinuoso quadril manchado por
impressões amargas, ainda quanto que terás,
do que coagula no fétido azedume de frágeis raízes estáticas
no estrume á frente da antiga sacada demolida da... (vômito
frustrado).
Mortificante vista ao redor do carpo,tateia tua armadilha
não deixe que te prenda, (à janela?)

Ágora, em que estou, com o signo cravado na pele
à ferro,estendida por entre as secas folhas de árvores
acostumadas com a aridez de um peito que bate fúnebre
uma canção esquecida,mas,impiedosa.
Será que a vista baixa me impede de ver
isso que rodeia e entontece...
E as imagens que observo que nitidez teriam...


Kamila Silva.